À
reconquista do continente americano
O Hemisfério Ocidental é
elevado à posição de maior prioridade dos Estados Unidos, com ênfase na
contenção da migração, no combate aos chamados "narcoterroristas" e
na garantia da hegemonia americana por meio da atualização da Doutrina Monroe, de
supremacia dos EUA em todo o continente. Segundo a NSS, a América Latina é uma região rica em recursos
naturais em primeiro lugar e de oportunidades, mas para os aproveitar é também
necessário combater a “incursão estrangeira hostil” (uma referência à presença
da China e da Rússia, ou também da União
Europeia nos seus mercados?).
A NSS preconiza o "recrutamento" de parceiros regionais que partilham o ideário do governo. As forças militares já deslocadas para a costa da Venezuela, estão a praticar atos de execução sumária e verdadeira pirataria, ameaçando eliminar o regime venezuelano e os seus dirigentes, enquanto a realidade de hoje é de novo a intervenção nas eleições dos países latino-americanos, em favor dos candidatos que controlam, como aconteceu recentemente na Argentina, Honduras e Chile, a extensão dessas ameaças aos governos que não controlam.
A
Velha Europa, como opositor político e a extrema-direita como aliado
estratégico
A Estratégia de
Segurança Nacional critica a orientação política dominante na Europa Ocidental
(a Velha Europa, na asserção de Brzezinski) a quem acusa de negligência dos
valores “ocidentais” (entendidos como valores nacionalistas conservadores) e
uma “perda de identidades nacionais” devido à imigração e à “queda acentuada
das taxas de natalidade”. O resultado alegado é a estagnação econômica, a
fragilidade militar e o “ apagamento civilizacional ” da Europa.
Esta estratégia acusa a
Europa de censura e supressão da oposição política (leia-se,
extrema-direita) reforçando as críticas do
vice-presidente JD Vance na Conferência de Segurança de Munique de 2025.
Caracteriza a União Europeia em termos antagônicos, alegando que o bloco
europeu minou a “liberdade política” e a “soberania”. Particularmente
preocupante para os europeus é o apoio a partidos de extrema-direita
(“patrióticos”) e o objetivo declarado de “cultivar a resistência... dentro das
nações europeias”.
O critério para um bom aliado europeu é agora o grau de alinhamento com os valores nacionalistas conservadores do governo
Da
distensão político-militar, à continuidade dos negócios comuns com a Federação
Russa e a viragem a Nova Europa
Cerca de 3600
multinacionais do ocidente, permanecem intocadas no mercado da Federação Russa. Elas são a moeda de troca
para qualquer avanço no roubo das reservas financeiras do estado russo depositadas na banca ocidental_ que não
pertencem ao governo de Putin, mas à nação russa, e representam um valor que
supera várias vezes os fundos com que os irresponsáveis e aventureiros líderes
europeus pretendem violar as convenções financeiras internacionais, prolongar o
conflito ucraniano e lucrar com a reconstrução deste país.
No seguimento das
conversações para a paz entre os EUA e a Rússia, Putin anuncia no seu país
grandes expectativas de negócios comuns no Ártico na área da mineração, que não
prenunciam nada de bom para a crise ambiental que está a derreter os seus
glaciares.
A Federação Russa não é visada
na Estratégia de Segurança Nacional (NSS) e, o país não é definido como
adversário dos Estados Unidos. Em vez disso, os europeus são criticados pela
falta de esforços genuínos de paz na Ucrânia e por expectativas “irrealistas”,
que contradizem o desejo de paz da
população europeia.
Sobre a Rússia e a
Ucrânia, a NSS prioriza o retorno ao entendimento entre grandes potências, no
caso os EUA e a Rússia e destaca a estabilidade estratégica ( o Novo START),
bem como a gestão da escalada com a Rússia na Europa.
Depois de décadas de
expansão aberta da NATO para Leste, a Estratégia de Segurança Nacional proclama que se
opõe à política de portas abertas da NATO!
A NSS também afirma que a Europa permanece estratégica e “culturalmente” vital para manter a competitividade dos EUA, isto é, “para combater a supercapacidade mercantilista e o roubo tecnológico”, numa alusão velada à ascensão económica da China. Mas é a Nova Europa, a Europa Central, Oriental e Meridional, descritas como “nações saudáveis” com as quais os laços devem ser expandidos, enquanto aliados de longa data na Europa Ocidental, como a Alemanha, são especificamente subalternizados.
Uma
Nova Era de Multilateralismo e o erguer da China
A Estratégia de
Segurança Nacional (NSS), parece reconhecer que uma nova Era de
multilateralismo é já hoje uma realidade geopolítica irreversível, posicionando
a economia como a "questão fundamental". A China só é mencionada na
página dezanove do documento de vinte e nove páginas. Ela é vista
principalmente como uma concorrente econômica e, portanto, a necessidade de
reequilibrar os laços econômicos bilaterais é priorizada. Mas a China já não é definida como um “desafio sistêmico“
gerador de uma nova ordem mundial incompatível com os interesses dos EUA.
Quanto a Taiwan, a razão
do interesse estratégico da ilha para os EUA
é agora focada na produção de semicondutores e a declaração da
Estratégia de Segurança Nacional enfatiza: “os Estados Unidos não apoiam
nenhuma mudança unilateral no status quo no Estreito de Taiwan”.
Tal posição deve ser
entendida no quadro do reconhecimento da clara oposição da maioria do povo
desta província chinesa à política de separatismo e militarismo das autoridades
de Taipé, incentivada pelos governos dos EUA, que procuram arrastar para o
confronto com a China os governos regionais onde têm maior influência, como é o
caso das Filipinas e do Japão, confirmada pelas mais recentes eleições em
Taiwan, os seus resultados globais e a sua omissão e manipulação: Uma maioria
de votos e de deputados contra o separatismo e o militarismo. O candidato
separatista ganhou as eleições presidenciais (2024) com 40% dos votos, mas os
dois candidatos derrotados, que são favoráveis à aproximação com a RPCh,
receberam 60% dos votos.
No
Médio Oriente: A paz pela força e pelo genocídio.
“A paz pela força”, foi
a estratégia de Reagan. A Estratégia de Segurança Nacional (NSS) que reafirma a
intenção americana de transferir para os seus parceiros estratégicos a defesa
dos interesses dos EUA ( Arábia Saudita, Jordânia, Turquia) na região do Médio
Oriente, continua a estar em contradição
com a sua prática política, que não só municia o genocídio dos palestinianos e
dá cobertura aos projetos sionistas do grande Israel na ONU, que se estendem ao
sul do Líbano e à Síria, e incluem à neutralização do Hezbollah, como intervém
militarmente, ao bombardear o Irão e o Iémen, e ao utilizar os seus recursos
militares na defesa de Israel, chegando ao ponto de apoiar o novo governo da
Síria, a quem já suspendeu as sanções, que representa forças terroristas
islâmicas e os seus líderes. Ao mesmo tempo que rejeita a solução política de
dois estados para a Palestina e, na cidade israelense de Kiryat Gat, no
centro-sul do país, instala um comando militar para supervisiona e controlar o
denominado plano de paz de Trump para a
Faixa de Gaza, que inclui os negócios da reconstrução de Gaza.
A
cobiça por África
Com o papel de gendarme
de África dos governos franceses em causa, pelo emergir de governos
nacionalistas que recusam a sua política neocolonial e a presença no seu país das
suas forças miliares, face também à tentativa da Rússia de recuperar a tradição
de ajuda militar da URSS agora procurando instalar base e enviando conselheiros
e mercenários para combater o terrorismo islâmico, e sobretudo, com a adesão de
52 países africanos à Rota da Seda e ao seu projeto de desenvolvimento autónomo
e sustentável dos países africanos, apoiado pela Organização da Unidade Africa
e pelas Nações Unidas no último Forum on China-Africa Cooperation, a vertente
africana da Estratégia de Segurança Nacional da administração Trump é apresentada
como uma mudança drástica em relação ao passado, quando apenas retoma em tom
generalista os temas da prevenção e resolução de conflitos, e do comércio e
investimento entre os EUA e a África.
As referências do texto
a “estados selecionados” apresentam semelhanças com o conceito de
“estados-âncora” da administração de George W. Bush, e a menção a oportunidades
no setor de energia segue o foco da administração de Barack Obama para expandir
o acesso aos recursos energéticos.E o combate ao terrorismo islâmico, que o
derrube do regime líbio pela coligação da NATO com obscuras forças locais de
oposição, permitiu que se expandissem pelo Sael até Moçambique, merece apenas
uma declaração de intenções.
12.11.2025

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